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23 maio, 2007

SUPER BTT na Serra da Estrela

Afinal o segredo revelou-se duma forma bem dura, mas fabulosa...

Primeiro dia: o aquecimento
Ao sairmos da Casa das Penhas Douradas a temperatura já estava bem alta, indicando que o dia ia ser bem quente. Fizemos a crista da Santinha, onde a vista é soberba quando o céu está limpo. Descemos para a portela de Folgosinho, e fomos num sobe e desce até Videmonte, mas sempre a rolar bem depressa. Depois de nos abastecermos descemos ao Mondego para fazer uma longa subida que apesar de relativamente fácil ficou marcada pelo forte calor, ao qual não estávamos habituados. Descemos para a Assedasse para de seguida fazermos o vale do Mondeguinho até ao Covão da Ponte, onde predomina o pastoreio e a cultura do centeio e por este estar bastante grande este ano, tornava o vale num cenário fabuloso quando o vento soprava sobre as suas espigas. Começámos a subida para a Cruz das Jugadas e de seguida para as Penhas Douradas. Foram cerca de 65 km e + /-1.500 m acumulado de subida.


Segundo dia: o "empeno"
Mais uma vez a manhã estava fabulosa com uma temperatura bastante agradavel. Descemos vertiginosamente pela Calçada Romana até Manteigas. Subimos ao Poço do Inferno, algo "infernal" devido ao calor. Descemos ao Vale da Amoreira ( ponto mais baixo dos dois dias ). A subida para o planalto revelou-se difícil, quer pela inclinação, quer pelo forte calor. No fim da subida o tempo muda rapidamente, refrescando um pouco, mas com a formação rápida de trovoadas ameaçadoras. Aqui a velocidade das bicicletas aumentou consideravelmente devido à aproximação das trovoadas. Descemos a alta velocidade para o Sameiro (os ciclometros marcavam 65km/h). No Sameiro esperava-nos um repasto numa tasca do agrado de toda gente, e enquanto o deliciávamos começou a chover torrencialmente. De barrigas demasiado cheias fomos para a mais bela subida da travessia até Stº Loureço e logo de seguida fizemos o fabuloso trilho do Corredor dos Mouros. Depois de descermos estávamos na Assedasse , onde nos abrigámos mais uma vez de uma forte chuvada. Finalmente estávamos a fazer a mítica subida da Santinha, onde a sua distancia e desnível desgastou e de que maneira os betetistas (ponto mais alto da travessia 1.600 m). Para os que ainda tinham forças esperava a ultima dificuldade, mas talvez uma das partes mais belas e desconhecidas da serra :depois de descer a Santinha descemos para o Covão de Stª Maria, uma descida bastante rápida no inicio, mas depois muito difícil devido ao mau piso. Nesta descida tive a sorte de ver três javalis a cruzarem bem perto da minha roda da frente. Finalmente a última subida que nos ia levar para as Penhas. Foi feita muito lentamente pois as forças já eram muito poucas, afinal tínhamos feito cerca de 100 km e + /- 3.300mt acumulado de subida.

Terceiro dia : o mau tempo
Apesar de despertar-mos com vontade de pedalar, as condições metereologicas eram muito desfavoraveis, com trovoadas e alguma chuva. Por concenso de todos decidiu-se cancelar a volta e regressarmos a casa..

Foram dois dias de puro BTT em que percorremos os mais belos caminhos da Serra da Estrela sem ser necessário andar em alcatrão e passando por poucas aldeias. Mas mesmo as poucas aldeias que por onde passámos não mudaram com o tempo, onde as pessoas apesar de terem feições bastante rudes de uma vida dura, recebem-nos com um simples sorriso.

Palavras de muito apreço para a Casa das Penhas Douradas, que tiveram um serviço impecável, de uma simpatia e calor humano formidáveis mesmo quando chegávamos todos sujos e "desvairados" de fome.

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